O Android sem dúvida hoje é um dos pesos pesados no mundo da tecnologia e não podemos negar isso, A popularidade que ganhou deveu-se em parte ao seu sistema aberto e pela capacidade de modificar o sistema, com isso vimos nascer grandes projetos e dos quais muitos deles se tornaram apenas boas lembranças, como é o caso do CyanogenMOD, CarbonROM (que ainda existe, mas já não está tão ativo como era na época).
Pessoalmente, Aprendi a portar ROMS em meus computadores Huawei G510 e G610 (honestamente tudo de uma forma muito superficial, tentativa – erro e horas gastas em centenas de tópicos XDA consultados), mas Consegui trazer coisas do meu interesse para minhas equipes, características de outros aparelhos, que para citar alguns exemplos eram as bibliotecas de sons do Xperia, fazendo passar meu aparelho como se fosse um Xperia Play (para jogos), portando os aplicativos MIUI e launcher da época, portando ROMS que eu gostava, entre outros coisas.
E como mencionei, isso foi algo que atraiu muitos pelo Android, mas com o passar do tempo e minha percepção Android ficou um pouco mais “fechado” por assim dizer e que a questão do rastreamento de usuários foi levada a níveis absurdos.
Neste aspecto, por um lado, “posso” compreender a posição do Google, porque no final das contas ele está alocando recursos tanto para o desenvolvimento quanto para a inovação e deve vir de algum lugar para isso, é um dar e receber, mas hoje O Android tem uma dependência excessiva dos serviços do Google e a grande quantidade de informações que coleta dos usuários é uma loucura.
É por isso que Achei interessante o novo projeto que o F-Droid anunciou. no qual colabora com a Comissão Europeia, a E Foundation, que desenvolve a plataforma móvel /e/OS, e o projeto microG (que cria análogos abertos aos componentes e serviços proprietários do Google).
O novo projeto que nasceu com o nome de "Mobifree" pretende criar um ecossistema de aplicativos móveis abertos para Android e incentivar o desenvolvimento de programas semelhantes.
El projeto foi criado em resposta ao desenvolvimento desequilibrado do atual ecossistema móvel, dominada por grandes empresas e aplicações proprietárias, padrões fechados e tecnologias de recolha de dados de utilizadores que são utilizadas para monopolizar o mercado e vincular os utilizadores a soluções proprietárias individuais.
A Comissão Europeia está interessada em financiar e promover a iniciativa como parte do programa de soberania digital e é mencionado que a iniciativa Mobifree também:
“Apoiará os principais inovadores europeus em tecnologia móvel, proporcionará maior liberdade de escolha aos cidadãos e organizações e criará novas oportunidades para empresas de código aberto éticas e focadas no consumidor.”
F-Droid será quem terá o papel fundamental no projeto Mobifree, encarregando-se de criar o sistema de distribuição descentralizado que permitirá aos desenvolvedores oferecer aplicativos aos usuários do Android de uma forma mais aberta e transparente.
Para levar a cabo este plano, a Mobifree conta, para além da colaboração dos referidos, com o apoio da empresa Murena, do cliente de comunicação Conversations XMPP e da sua edição Quicksy, do cliente de email Ltt.rs e do mensageiro Delta Chat (que utiliza email como transporte).
Entre o Valores fundamentais da Mobifree, os seguintes são mencionados:
- Respeito pelos direitos digitais dos usuários: Priorizando a privacidade e a liberdade de expressão.
- Softwares de alta qualidade: Compromisso com a excelência no desenvolvimento de software.
- Competição justa: Garantindo portabilidade, compatibilidade e suporte para padrões abertos.
- Inclusão: Garantir a disponibilidade de software para todas as categorias de usuários.
- Código aberto e padrões abertos: Promover a transparência e a colaboração no desenvolvimento.
- Respeito pelo meio ambiente: Utilizar fontes de energia renováveis e promover o longo ciclo de utilização.
Do lado do desenvolvimento, é mencionado que atualmente as áreas que serão desenvolvidas incluem um sistema operacional aberto baseado em Android, diretórios de aplicativos independentes, programas de mensagens, aplicativos de mapeamento e sistemas de resposta a desastres.
Por último, importa referir que a Comissão Europeia atribuiu um subsídio de 5 milhões de euros para o desenvolvimento do projeto.
fonte: https://f-droid.org